“Ela é do tipo que nunca tem opinião formada… Mas quando tem, vai até o fim. Talvez até seja melhor assim. Sendo confusa. Vai ver desse jeito causa menos estrago. Vai ver com isso ele consegue a consertar um dia, ainda que não faça a menor ideia de por onde começar. Só o fato de tentar já muda tudo. Só o fato de se importar, de permanecer ao seu lado o transforma. Não que ele seja perfeito, não é nada disso… Só que ela tem aquele jeitinho só dela. Aquela voz que mesmo irritada é capaz de acariciar-lhe o rosto de leve. Aquele olhar morno que o abraça e o leva pra longe. Quase que anestesiante. Que nem o gostinho das palavras mansas que vazam de seus lábios. E ao mesmo tempo, ele cria essa necessidade de protegê-la. Mesmo que ela não demonstre precisar de proteção; seus braços instintivamente sentem vontade de envolver-lhe o corpo miúdo e fazê-la apoiar a bochecha em seu ombro. E não deixar nada a machucar. E não permitir que ela chore, nem sofra, nem sinta o que não merece sentir. Ela é um quebra-cabeças; ele gosta de desafios. Ela é o oposto de tudo o que ele já quis um dia… Enquanto ele é só mais um lembrete em seu bloco de notas. Mas, por incrível que pareça, ele é o lembrete que vai salvá-la um dia. Ele é aquele que vai fazer toda a diferença. Ele é a peça que faltava.”
— Letycia A.